
O bairro da Vila Mariana vive uma evolução imobiliária espantosa. Comercialmente cresceu bastante. Lugares pacatos viraram uma efervescência só. Muitas moradias sucumbiram às ofertas das empresas construtoras, que num abrir e fechar de olhos erguem prédios e logo acenam com fachadas modernas criando verdadeiro chamariz atraindo compradores.
Ruas que outrora formavam fileiras de casas, jardins e tranqüilidade perderam referência com a transformação em um novo cenário feito de espigões.
Na França Pinto prédios despontam empinando-se, exibindo a imponência da especulação imobiliária, demonstrando poder a qualquer custo. A paróquia de Santo Ignácio em pouco tempo terá seus momentos de liturgia e paz perturbados, sacudidos por bate-estaca e outras inconveniências que as grandes construções acarretam ao local tirando-lhe a calma.
A Vila se estruturou bem; restaurantes, lojas, supermercados, faculdades várias e pequenos bares vão surgindo, transformando-se em points de universitários numa constante ebulição. Não deixa de ser agradável conviver nesse trecho da cidade, embora como em outros lugares desenvolveu características negativas próprias das metrópoles e centros urbanos.
Já adotei São Paulo como minha segunda terra. Paixão inquestionável, amor conquistado nos trinta anos de convivência na rotina e cotidiano, muitas vezes tumultuado, estressante, mas incorporado amavelmente a minha vida.
E nesse paradoxo escuto o bem-te-vi; com aproximação da primavera disparam a cantar forte, estridentes, como anunciando boa nova. O canto fez me lembrar um poema de Manuel Bandeira:
ANDORINHA lá fora está dizendo:
-“Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...